domingo, 10 de setembro de 2017

Pausa para mudanças

Vamos fazer algumas mudanças nos blogues principais e por isso teremos que parar por um tempo. Mas em 2018 voltaremos com grandes novidades. Aguardem e desculpe a espera.


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Tá, futebol simboliza a nossa cultura. Mas ninguém me obriga a gostar de samba!

Muita gente diz que o futebol deve ser respeitado senão como símbolo cívico, pelo menos como símbolo da nossa cultura. Algo que nos faça ser conhecido no exterior como uma marca nossa.

Mas precisa obrigar todo mundo a gostar de futebol para que ele continue sendo uma marca dos brasileiros? Temos muitas outras coisas tipicamente brasileiras que não possuem a mesma - suposta - unanimidade. Conheço muita gente que detesta feijoada e sabe-se muito bem que é a comida que mais nos representa. Símbolo ou não, eu adoro feijoada, uma de minhas comidas favoritas.

Mais curioso ainda é saber que o tipo de música que mais nos caracteriza está mais do que longe de ser unânime. O samba, música que nos faz conhecidos lá fora, está cada vez mais impopular. De sucesso, somente aqueles Frankesteins sonoros que se apresentam como "pagode" (Alexandre Pires, Belo, Molejo, Tchan e os novatos Dilsinho e Ferrugem), mesmo assim sem estrondo.

Conheço um número ainda maior de pessoas que não se sentem obrigadas a gostar de samba para se considerarem brasileiras. Ninguém nunca me obrigou a gostar de samba. Quando eu digo que não curto a maior parte de sambas (há os que gosto, mas são poucos e bem antiquados), ninguém se chateia. Mas quando eu digo que passo longe do futebol, aí a polêmica se instala.

Porque sou obrigado a gostar de futebol se não sou obrigado a gostar de samba, de caipirinha, de papagaio? Adoro feijoada porque agrada a meu paladar e mesmo assim ninguém me obriga a gostar de feijoada. Se eu não gostasse, não haveria problema. Porque com futebol há este problema?

Futebol pode ter a importância cultural para o raio que te carregue! Eu não sou obrigado a gostar de futebol seja qual for a nação que ele representa! Se não sou obrigado a gostar de samba, feijoada e caipirinha, também não sou obrigado a gostar de futebol!

Para quem gosta de futebol, desejo que tenha um bom proveito. Mas não me venha com este papo de que tenho que gostar de futebol. As coisas lá nos gramados estão bem longe de dar algum tipo de alegria a minha vida.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Exclusivo: Medo da solidão faz brasileiros gostarem de futebol

Se você perguntar para um brasileiro porque ele gosta de futebol, certamente ele não vai saber responder. Ele dirá algumas suposições e argumentos vagos. Mas para quem é mais atento vai perceber que existe sim um motivo que faz com que uma imensa maioria de brasileiros resolva gostar de futebol: o medo da solidão.

Um traço, digamos cultural, do brasileiro é que o futebol não é visto como um esporte ou simples forma de diversão. Para os brasileiros, o futebol é um agregador social e única manifestação de civismo. Isso acaba por transformar o futebol em obrigação social. Alguém que assuma desprezo ou aversão ao futebol é deixado de lado e perde os benefícios que só podem ser conquistados com a sociabilização.

Desde crianças, as pessoas são "educadas" a gostar de futebol, pois sabem que é o principal agregador social do Brasil junto com a cerveja e a fé cristã. Sabe-se que o Brasil nunca foi de fato democrático, nem mesmo nos governos de esquerda pois a natureza do brasileiro sempre foi o de sempre seguir o que faz a "manada" ser conduzida.

Brasileiros são muito mais sociais que os outros povos. Isso já está sendo famoso lá fora. Aqui modismos pegam com facilidade e ideias defendidas por grandes grupos de pessoas caem no senso comum e são consagradas como "verdades inquestionáveis". 

Estranhamente brasileiros são individualistas em matéria de conquista de direitos, mas coletivistas quanto a maneira de pensar. Trocando em miúdos, para grande parte dos brasileiros, pessoas devem ter um mesmo pensamento e diferentes direitos, quando deveria ser o oposto, o que seria bem mais democrático.

Vocação à diversidade cancelada pelo falso consenso do gosto pelo futebol

O futebol surge como uma espécie de falso consenso onde pessoas de diferentes ideias em outros setores encontram um motivo para "chegar a um acordo". Mesmo que torçam para times diferentes, o fato de gostarem de algo considerado uma obrigação social força este consenso. Mesmo que no caso dos hooligans a diferença de times leve a atritos violentos, mas não na perda da vida social.

Seres humanos, por serem animais sociais como formigas e anchovas, tem muito medo da solidão. Vários dos benefícios que temos a nossa disposição exigem algum nível de sociabilização para serem conquistados. O emprego depende de quem pague e mesmo o autônomo tem que entrar em contato com outras pessoas para que a freguesia pague por produtos ou serviços oferecidos.

O gosto pelo futebol foi uma maneira de domar uma sociedade que tem natural vocação para a diversidade. O Brasil, por sua grandiosidade territorial e pela variedade étnica, tem tudo para ser uma espécie de Torre de Babel. Algo precisava ser feito para que o Brasil não se tornasse um monte de relacionamentos conflitantes. 

A mídia achou bom que um esporte caracterizado por profissionais que enriquecem facilmente, subindo da classe E para a A sem escalas, podendo circular tanto entre os mais sisudos magnatas como entre os menos escolarizados favelados, fosse um bom meio de consenso entre diferentes brasileiros. Nessa que o futebol foi estipulado, através de uma invisível lei social (que não está escrita na Constituição) como um agregador social oficial. 

Mas pode crer: se não fosse o medo da solidão, outros esportes seriam muito mais curtidos e gostos diferentes seriam respeitados, fazendo com que o gosto pelo esporte fosse mais espontâneo. Por causa da obrigação em gostar de futebol (sim, brasileiros são obrigados a gostar de futebol, mas ninguém quer posar de ditador e inventa que "ninguém é obrigado", obrigando), muitos fingem gostar de futebol e assistem o jogo sem prestar atenção, apenas gritando a cada vez que a bola entra na trave.

"Quem não gosta de futebol, bom sujeito não é, e os incomodados que se mudem!": poderia ser este o lema do Brasil, um país que teria a vocação para ser o mais democrático do mundo e que encontrou um modo de atra a população em prol de um falso interesse em comum que logo se dissipa após o apito do juiz no final de jogo. E após o futebol, voltamos a ser a Torre de Babel santa de todos os dias. Até que se inicie o próximo jogo de futebol, quando fingiremos que somos um só coração.

domingo, 20 de agosto de 2017

Patriotismo de Copa: uma doença de um povo nada patriota

O brasileiro nunca foi patriota de fato. Gosta de assumir como tal porque lutar pelo próprio país é um valor considerado socialmente positivo. Mas é uma luta sem luta. na verdade este papo de "patriota" é mais para agradar aos outros e garantir os benefícios que só podem ser conquistados por decisão alheia ou quando dependem de uma sociabilização intensa para serem obtidos.

Na boa, se você estiver ouvindo de um brasileiro algo como "eu sou patriota", ignore: ele está mentindo. O verdadeiro patriota sai as ruas e só sai delas quando bens, riquezas do país e os direitos do povo brasileiro forem preservados e melhorados. Nem mesmo a esquerda que em seu discurso sensato fala em preservar bens e direitos é tão patriota, pois percebe-se que nem ela está nas ruas.

Éramos para expulsar as empresas estrangeiras e fortalecer as nossas. Éramos para escolher políticos altruístas ao invés de votar, em troca de interesses pessoais, corruptos para que nos divirtamos falando mal deles. Éramos para, ao invés de ficarmos parados cantando hino olhando diante de um pedaço de pano, tomarmos alguma atitude para que o país se desenvolvesse.

O mais interessante é que as manifestações que foram responsáveis por esta silenciosa destruição do país - a ponto de se tornar em futuro próximo um novo Bangladesh, com multidões de indigentes - exaltavam patriotismo e símbolos cívicos, mas com um detalhe: as famigeradas camisetas da CBF.

Sim, porque na verdade, o que os brasileiros entendem como "patriotismo" é esta atitude infantil de priorizar uma simples brincadeira, no caso, o futebol, como se ele fosse "importante para a dignidade do povo brasileiro". Pior que existem brasileiros, e não são poucos, que acreditam que a "vitória da 'seleção' em copas melhora a economia do país porque brasileiros trabalham mais felizes". E pasmem: EU OUVI ISSO!

Não é de se estranhar que em manifestações supostamente cívicas apareçam pessoas usando a camiseta da CBF. Sim, para gigantesca parte dos brasileiros - incluindo a esquerda que se recusa a usar tal camiseta em manifestações políticas - o futebol é nosso maior símbolo de civismo e isso está arraigado na sociedade brasileira.

Isso acontece de tal forma que a título de comparação, Pelé é o nosso maior herói cívico (algo como o que Simon Bolívar representa para o resto da América Latina). Neymar é o herói atual e mesmo quem o critica, logo após a copa vai se orgulhar dele e colocar a sua foto no melhor lugar de sua casa.

A priorização do futebol para o pueril povo brasileiro é tanta que a derrota sofrida na copa de 2014, na própria casa, quando os amarelos levaram de 7x1 da seleção alemã, rendeu um trauma para os brasileiros, que falam no assunto até hoje. Enquanto isso, vemos direitos essenciais serem cancelados e estamos felizes e tranquilos , preocupados apenas com o próximo jogo do Flamengo ou com a copa de 2018. Como se a vitória no futebol pudesse resolver algum problema.

É um patriotismo estranho. na verdade nunca fomos patriotas e damos sinais de que não seremos tão cedo. Afinal, estamos perdendo o nosso país, embora a "seleção" esteja intacta e vai muito bem, obrigado. Mas o fato de ainda termos futebol - graças ao empenho dos mesmos patrocinadores do golpe militar e do de 2016, que patrocinam a "seleção" - nos traz tranquilidade mesmo nos piores momentos.

Na verdade, brincamos de sermos patriotas por acreditarmos que isso melhorará a nossa imagem diante das outras pessoas, favorecendo ainda mais o "jeitinho" que compensará a dificuldade que só aumentará no país graças a nossa incapacidade de lutar por nossos direitos. Afinal, para um povo pueril de apenas 500 anos, ainda na infância coletiva, a brincadeira sempre vem antes da obrigação. Mesmo que esta brincadeira seja tratada como "obrigação". 

Enfim, será mais doce, suave e agradável sofrer as imensas dificuldades que virão tendo mais um caneco de ouro na estante da CBF. E assim, continuarmos a pensar que somos patriotas, mesmo chorando com a camiseta da gringa Nike, espremida em nossas mãos.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Exclusivo: Classificação da Seleção Brasileira para a copa de 2018 faz parte do Golpe

Normalmente as pessoas costumam dissociar o lazer do processo de manipulação ideológica das massas. Mas o que é fato é que o lazer é sim um instrumento de manipulação, pois o tempo livre é o único em que uma pessoa não está sob influência de outra e é preciso manter o seu controle para evitar o surgimento de subversivos que possam mudar o sistema, impedindo a ganância dos privilegiados e dos donos do poder.

Até hoje muita gente não acredita que o futebol é o melhor instrumento de manipulação, junto com a religiosidade. Como seu estereótipo está ligado a valores positivos, muita gente cai na armadilha de acreditar que o futebol nada tem de manipulador ideológico, sendo uma forma sadia de lazer a ser curtida por pessoas de todos os tipos, incluindo as mais conscientizadas. 

Nos primórdios do futebol brasileiro, há mais de 100 anos atrás, isso poderia ser verdade. Mas a capacidade hipnótica do futebol, hoje consagrado como maior agregador social do povo brasileiro, o que faz com que muita gente se sinta obrigada a gostar (ou fingir gostar) da modalidade e também com que a mesma seja altamente lucrativa, além de desviar a atenção de um povo que vê na modalidade o civismo que não consegue ver em setores menos supérfluos.

O fato de ser o maior agregador social e de ser estigmatizado como "dever cívico" fazem com que o futebol, depois dos commodities, seja o nosso único produto de exportação. O golpe impediu que o Brasil pudesse se evoluir em outros setores. 

Mas golpistas sabem que o futebol é extremamente importante para anestesiar a população e impedi-la de manifestações mais corajosas. Por isso que foi importante manter o Brasil como pátria de chuteiras e manter o mito de que "somos bons somente no futebol", para que a adoração pela modalidade substitua o verdadeiro civismo.

"Seleção" na deveria ir a copa de 2018, segundo especialistas

Apesar de críticas sensatas serem feitas às atuações cada vez mais medíocres da "seleção", sem um time realmente bom desde 1986 e que  desde então só ganhou campeonatos através de trapaças, graças a "jogadas" secretas, mas eficientes, comandadas por cartolas e patrocinadores, muitos insistem em priorizar o futebol. A "seleção" teria que ir a copa de qualquer maneira.

Desde o final dos anos 80, a "seleção" se tornou um fenômeno midiático, com jogadores estrelas e com objetivos mercenários. Surgiu a era dos jogadores-magnatas muito mais preocupados em aparecer do que em jogar. Mesmo jogando mal e vencendo de forma desonesta, a publicidade se tratava de manter uma aura de "perfeição" na atuação esportiva dos jogadores. 

Isso ocorre porque a publicidade acaba se aproveitando que pouquíssimos torcedores entendiam da parte técnica da modalidade, preferindo assistir aos jogos como quem assiste a uma missa, com sacerdotes messiânicos em campo. mesmo jogando ruim, se conseguir vencer o jogo e trazer o "caneco" já bastaria para que a população infantilizada que prioriza o que não passa de mera brincadeira, ficasse satisfeita e considerasse como cumprido o suposto dever cívico.

Mas a escassez de qualidade profissional dos jogadores brasileiros poderia impedir a "seleção" de ir a esta copa, aproveitando a ausência para se aperfeiçoar e jogar em próximas copas com qualidade profissional, sem apelar para a mitologia e sem cometer atos desonestos como pagar adversários para perder como aconteceu em 2002 com uma estranha invencibilidade com atuações, na melhor das hipóteses, nada além de medíocres.

Mas a campanha pela mitologia do "futebol-civismo" ainda se mantém de forma insistente, mesmo com atuações medíocres. O mito segue como se a dignidade do povo brasileiro dependesse da vitória da "seleção" em um campeonato. Fato comprovado como impossível, pois a "seleção" é pentacampeã e isso não influiu em nada na melhoria em outros setores. É como se uma escola pudesse ser considerada a melhor em qualidade de ensino por causa da vitória em varias gincanas.

Analisei cuidadosamente alguns aspectos, ligando alguns fatos e concluí que o golpe não teria sentido se a "seleção" não fosse a copa em 2018. Lembrando que estamos em uma ditadura e que em 1970, o ditador Emílio Garrastazu Médici se autopromoveu às custas da vitória na copa de então, percebe que o futebol é essencial para que tiranos possam ser facilmente aceitos e obedecidos pela população brasileira sedenta por bola na trave.

Sabemos muito bem que em anos de copa, os seis primeiros meses são ocupados pela expectativa da participação da "seleção" na copa vigente. O Brasil tem apenas um pouco mais de 500 anos e nosso povo é confirmadamente infantilizado, o que o faz priorizar o lazer e detrimento de coisas sérias. A não ida do futebol brasileiro a uma copa seria desastroso em tempos difíceis como o do golpe atual.

Patrocinadores da "seleção" patrocinaram o Golpe de 2016

Um detalhe que a população não percebeu, muito menos a esquerda deslumbrada pelo futebol, é que os patrocinadores oficiais da "seleção" são os mesmos patrocinadores do golpe. Este detalhe é extremamente importante para entender que a entrada da "seleção"na copa da Rússia é importante complemento para reforçar a estabilização do golpe.

É ingenuidade achar que o futebol poderia manter a sua magia sem patrocinadores e cartolas. O futebol é claramente de direita e se os esquerdistas ainda acreditam no patriotismo de copa, estão fugindo da realidade e desviando o seu foco de assuntos mais sérios. Sem cartolas e patrocinadores, o futebol brasileiro retorna às várzeas e Neymar volta a ser aquele garoto feioso de outrora.

Para não dizer que isso é uma invenção minha, basta uma boa pesquisada em vários fatos que relacionam política e futebol para percebermos que a modalidade é importante peça para o golpe. Senão os coxinhas não teriam usado camisetas da "seleção" em seus protestos, o que mostra que os brasileiros ainda consideram o futebol em copas como dever cívico, como se a "seleção se confundisse como a própria nação.

Imaginem uma copa sem a "seleção" e pensem muito bem se a entrada do "Brasil" na copa de 2018 será bem útil para que as pessoas pudessem abraçar os golpistas e perdoá-los, pois se destroem a nação e preservam a "seleção" significa que nem tudo parece perdido. Pelo menos é o que se passa na mente dos alienados que acham que o futebol é tudo. 

Para os mais conscientizados, essa acomodação futebolística disfarçada de dever cívico é uma tragédia a mais para destruir o nosso país. É possível que o país todo se exploda, sobrando apenas a taça conquistada pela "seleção" na copa. Se o Maracanã ficar de pé, "tudo estará tranquilo" para Temer, sua equipe e o povo que finge odiá-lo.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O "herói" da Meritocracia

Foi anunciada recentemente a transferência do hiper-estimado jogador Neymar para o Paris Saint Germain, um dos mais conhecidos times do futebol francês. O salário que o jogador, sem o ensino básico completo, vai ganhar é gigantesco. Só para se ter ideia, vai dar para comprar um apartamento com o que ele vai ganhar por dia. (eu disse: POR DIA).

Mas ninguém liga. Neymar não é político e muito menos "comunista" (ele é direitista assumido e amigo de Aécio Neves). Além disso, é o principal craque do maior narcótico e maior instrumento midiático de manipulação do povo brasileiro, o futebol. 

Em tempos de crise, Neymar serpa muito importante para os brasileiros pensarem na possibilidade de "prosperidade" para o Brasil. Uma prosperidade de mentirinha, mas que habitará as mentes dos brasileiros durante a copa, ao som do hino cantado a plenos pulmões. Enquanto soa o hino, nosso país aos poucos vai sendo desmontado para ser entregue aos gringos. Futebol sim, soberania sifu.

E nem adianta Neymar assumir seu direitismo. A esquerda o ama de paixão. Não interessa se Neymar, o analfabeto mais amado do país, apoia o desmonte de nossa soberania. O alto salário que ele vai ganhar o torna imune a crises de qualquer tipo e intensidade. 

E como ele não e nem um pouco altruísta - o falso altruísmo dele é puro marketing (sem trocadilho com a "namorada" que arrumaram para ele desfilar em prol de sua própria publicidade), dane-se o resto. O importante é comemorar os gols e o inútil título. Afinal a "seleção" é penta-campeã e isso não adiantou em nada a melhoria do país. Claro, futebol é só diversão. Só e somente só. Apenas otários e burros acham que futebol é dever cívico e patriotismo.

Mas o que aumenta ainda mais a admiração de todos, incluindo os esquerdistas que amam futebol (e o Neymar também) ao jogador é que ele é o campeão da competitividade que os direitistas pensam ser a vida. Ou seja, Neymar é o suposto herói da chamada Meritocracia. 

Meritocracia: a vida é uma competição; ricos são os vencedores

Meritocracia é aquela ideia imbecil que trata a vida cotidiana como uma competição e as relações humanas como um jogo. Para quem acredita nesta utopia fascista - que nem mesmo os capitalistas mais sérios acreditam - os ricos são os vencedores deste jogo e sua ganância (que não recebe este nome, substituído por outros mais "bonitos") deve ser respeitada. O resto que continue lutando que um dia ficará rico. Como se existisse bens o bastante na face da terra para todo mundo ficar bilionário.

Os direitistas que adoram futebol - pensou que só a esquerda gostava de futebol, hein? O uniforme de CBF nos protestos comprova que a direita é boleira, sim -  já elegeram Neymar, que veio das periferias o maior garoto propaganda da Meritocracia. 

Certamente a direita usará o jogador-hipérbole como exemplo de que os pobres podem virar magnatas se "lutarem um pouquinho" fazendo profissionalmente o que os pobres mortais fazem como lazer. Com isso, aumentam as inscrições de jovens pobres em times juniores de grandes clubes. Ser "doutor" não garante mais futuro. Ainda mais após a medonha reforma trabalhista que ressuscitará a escravidão. reforma apoiada pelo próprio Neymar, que não está em aí com o que irá acontecer.

A esquerda deve abrir os olhos e procurar outro esporte para curtir. Se ela continuar defendendo o mais capitalista dos esportes, achando que se tirar "cartolas" (os empresários do esporte) a magia sera mantida, vai fazer gols contra. Existem muitos outros esportes menos corrompidos e largar o futebol nunca matou ninguém.

Ou a esquerda que assuma mesmo a sua hipocrisia e aceite toda a manipulação capitalista do futebol - que é o que garante a magia que faz a modalidade ser quase unânime entre os brasileiros - aplaudindo a Meritocracia de Neymar, um "herói" que dará através do futebol o prestígio que o Brasil não consegue em outros setores. E infelizmente, é isso que o povo, mesmo o "mais letrado", quer.

Afinal, antes de sermos a República das Bananas, somos a Pátria de Chuteiras. Sempre levando chutes no traseiro vindos dos outras nações que odeiam ver um Brasil soberano.

domingo, 30 de julho de 2017

A mesma sociedade que deseja "força Abel" é a mesma sociedade egoísta que temos hoje

Abel, um técnico de futebol, acaba de perder seu filho. Claro que é um momento triste de dor que somente um pai pode compreender. Aqui dou a minha sincera e comovente solidariedade a ele. Mas não dou solidariedade aos que supostamente prestam solidariedade a ele.

Por que não é uma solidariedade a um ser humano que perde o seu filho. É uma solidariedade a um técnico de futebol, representante da maior zona de conforto do povo brasileiro. Provavelmente se Abel não tivesse envolvido com o futebol, sua dor seria fatalmente ignorada.

Porque a mesma sociedade do "força, Abel" é a sociedade que sorriu com a morte de Dona Marisa, esposa de Lula.

A mesma sociedade do "força, Abel" vive ameaçando de morte esquerdistas e altruístas em geral.

Os mesmos que desejam "força, Abel" ignoram que muitos pais perdem seus filhos nas periferias, mortos por policiais e militares contratados para fazer "higiene social" para que a sociedade pudesse ser cada vez mais rica e branca.

Os que desejam "força, Abel" ignoram que aumentam a cada dia moradores de rua sem a mínima expectativa de entrar no mercado de trabalho para ganhar uma salário digno.

Os que desejam "força, Abel" agem com a maior passividade diante de um governo que destrói direitos e pretende transformar o Brasil em algo pior que os mais miseráveis países da África.

Aliás, os que desejam "força, Abel" são os mesmos que apoiaram a queda de uma presidente honesta de um país relativamente equilibrado para por no lugar um bando de corruptos que começa a estragar a vida da maior parte dos brasileiros. Isso em nome do combate à corrupção.

Os de que desejam "força, Abel" são os mesmo gananciosos mais interessados em acumular bens sem se importar em distribuir renda para melhorar a vida de todos.

Os que desejam "força, Abel" é essa sociedade ignorante e egoísta que não consegue enxergar a humanidade como um todo e se recusam alutar para que o maior número de pessoas tenha uma vida com dignidade e todas as necessidades satisfeitas.

Eu desejo força ao ser humano Abel. Não importa se ele é ou não técnico de futebol. Mas compreendo que a dor de um pai é só uma das inúmeras dores que o Brasil, um país cronicamente sofrido tem que aguentar por causa de muita ganância que insiste em permanecer no coração das pessoas.

domingo, 23 de julho de 2017

Se meu desprezo pelo futebol te incomoda, é porque você me obriga a gostar

Dependendo do lugar, certos costumes tidos como positivos em um, podem ser negativos em outro. Existem certos costumes que são inacreditavelmente ofensivos em certos lugares. No Rio de Janeiro é ofensivo assumir o desprezo pelo futebol.

O Brasil considera o futebol como seu dever cívico. Mas no Rio de Janeiro e em estados onde o fanatismo é grande, como São Paulo e Rio Grande do Sul, o gosto pela citada modalidade esportiva é considerada uma regra de etiqueta. Assumir o não-gosto é como uma recusa ao contato social. 

Por isso que muita gente que nem curte futebol se apressa em escolher o seu time, mesmo sem saber o nome do principal craque e sua situação no campeonato local ou nacional. Os mais sociais escolhe entre os times mais populares. Os que não querem se arriscar em conversas infindáveis sobre futebol escolhem times menos famosos como o Bangu e o América, "favoritos" de quem detesta futebol.

Para quem não entende a reação do carioca diante de quem não curte futebol, é similar ao que acontece com evangélicos quando estão diante de um ateu. Por acreditar no absurdo de que o futebol "está no sangue" ou seja, "faz parte" da essência humana, tratam aquele que não curte como se fosse um desequilibrado. Como se o cérebro de quem despreza o futebol não estivesse funcionando direito.

Claro que para dar a impressão de que é democrático, pois ninguém gosta de se assumir autoritário, mesmo que de fato o seja, ninguém assume a intenção de obrigar os outros a gostar de futebol. Mas no cotidiano percebe-se que o conhecimento de alguém que não curte futebol gera um baita incômodo e um longo debate que obriga o não-torcedor a explicar a sua opção.

Não há lei que me obrigue a gostar de futebol. E existem muitos esportes que poderiam atrair público mas são ignorados pelo fanatismo compulsório pelo futebol. Não é porque milhões decidiram de forma SUBJETIVA de que o futebol é dever cívico que tenho que gostar. Tenho mais coisas a fazer do que perder 90 minutos preciosos vendo algo que não me dá prazer.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Porque os coxinhas usam camiseta da CBF?

Esta é uma pergunta que não se viu em lugar nenhum. nem mesmo sites de curiosidade se preocuparam em tentar entender o fato. Como se fosse comum usar um uniforme de time de futebol (sim, time de futebol: a "seleção" nunca passou disto) em manifestações sobre política.

A origem disso está em algo típico de nosso país e resultante de nossa ignorância, nossa noção distorcida de civismo e nosso desinteresse sobre política. É um erro que praticamente só os brasileiros cometem: confundir futebol com patriotismo. O que influi na nossa tolice de acreditar que vitórias no futebol interferem na melhoria da qualidade de vida da população.

Obviamente se os brasileiros não confundissem futebol com patriotismo, não sairiam a protestos supostamente cívicos com o uniforme de um time de futebol. Mas a tradicional confusão resultante da necessidade de impor o futebol como "orgulho nacional" e símbolo de identidade permite que ridiculosidades como usar camiseta de time em protestos políticos ocorram.

O futebol é a nossa unica noção de civismo, infelizmente. Em eventos de futebol é a única oportunidade que temos para cantar o Hino Nacional de forma apaixonada e aparentemente espontânea. Nos empenhamos em desejar a vitória da "seleção" a todo o custo, sem a dedicação que deveríamos ter em assuntos mais sérios. A Lei Áurea acaba de ser revogada e todo mundo fica quieto. E nós traumatizados com um 7 a 1 bobo que não interfere em nosso cotidiano.

É curioso ver camisetas da CBF nos protestos supostamente anti-corrupção (que na verdade eram anti-esquerda, em manifestações secretamente remuneradas por grandes empresários). Toda a CBF é corrupta, o que seria motivo suficiente para que ninguém usasse o uniforme da "seleção" na em protestos alegados contra a corrupção. 

A copa de 2002 foi claramente conquistada com muita trapaça e compra de atuações, ocorridas nos bastidores, longe das câmeras de televisão. Não por coincidência, copas ocorrem em mesmos anos que eleições para presidente, o que sugere que o resultado no futebol pode interferir nas eleições. O que reforça ainda mais a confusão entre futebol e pátria, cacoete exclusivo do povo brasileiro.

Por isso mesmo que os coxinhas saíram nos protestos anti-esquerda e (agora revelado como) pró-corrupção com a camiseta da CBF. Para quem considera o país como "Pátria de Chuteiras" e o futebol o nosso maior bem (Destruam a Petrobrás, mas não acabem com a "seleção"), a camiseta da CBF é o maior símbolo que temos para mostrar o nosso falso civismo.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Futebol e a noção brasileira de civismo

Brasileiro nunca foi um povo patriota. Adora tudo que vem dos países desenvolvidos (mesmo o que é ruim) e não se importa em ver bens e direitos arrancados em nome da exploração feita por esses mesmos países.

A única noção de patriotismo que o brasileiro tem é no esporte, sobretudo no futebol. Criando para ser apenas uma opção de lazer, o futebol se tornou hegemônico graças a uma intensa e repetitiva campanha publicitária que conseguiu transformar a modalidade em falso consenso de um país que deveria ser diversificado.

O resultado disso é o futebol transformado em obrigação cívica e social. Quem assume publicamente não curtir futebol é rapidamente isolado da sociedade. Por isso, muita gente, sobretudo mulheres, sem praticamente gostar do que observam na tela esverdeada, se apressam a escolher o seu time "do coração" sem praticamente saber qual o nome do artilheiro do alegado time, em geral um daqueles nomes ridículos que pessoas de baixa escolaridade adoram colocar em seus filhos.

A decepção com o resultado da última copa - com a realista derrota de 7 a 1 que foi desabafada pela onda de ódio conservadora que tomou o país - mostrou que para os brasileiros, o importante é ser bom no futebol. Até penso que se o Brasil todo for destruído e somente o Maracanã ficar de pé, os brasileiros respirarão aliviados, mesmo sem ter onde morar e sem ter o que comer.

Com a proximidade da Copa, os brasileiros já começam a agir para que o Brasil volte a ser a pátria de chuteiras. Esquerdistas e direitistas, brancos e pretos, ricos e pobres, homens e mulheres, adultos e crianças, nerds e pit-boys, todos trabalham para que sua única - e equivocada - noção de civismo seja preservada. 

A meta em ganhar mais uma copa irá se sobrepor ao desejo de melhorar a qualidade de vida e lá estaremos todos nós berrando feito alces no cio diante de um aparelho de televisão ligado na GLOBO (quem odeia a Globo? Parem de me enganar: TODOS AMAM A GLOBO).

E como tem sido desde que um brasileiro sentou no comando da FIFA: mais uma vitória no futebol, temperada com derrotas incessantes na vida cotidiana. Brasileiro, povo infantil, sempre priorizou a brincadeira acima da seriedade. Por isso, golpes ocorrem e  nunca deixamos de ser uma República das Bananas.

Então, paremos de hipocrisia e elegemos Neymar presidente o mais rápido possível. Se o Brasil é uma pátria de chuteiras, não há nada que o "melhor jogador do país" não saiba fazer para governá-lo.