domingo, 4 de junho de 2017

Futebol, um esporte conservador

Antes de falar sobre o assunto, é bom entender o que significa "obrigação social". Seres humanos são animais sociais e muitos dos benefícios que conseguimos na vida dependem de aprovação alheia. O que significa que parecer simpático diante dos outros facilita muito a aquisição de benefícios e a vitória na vida. Esqueça essa palhaçada de Meritocracia: ninguém vence sozinho.

Para a pessoa parecer agradável diante dos outros, é necessário cumprir algumas exigências consagradas pelo senso comum. A sociedade não possui uma liderança que cobre por regras não escritas, mas qualquer um pode agir como "fiscal" e verificar se fulano ou sicrano está seguindo as regras impostas pela sociedade. E o gosto pelo futebol é uma dessas regras.

No Brasil, o futebol não é tratado como uma forma de lazer. Futebol é tratado como um dever cívico. Talvez seja o nosso único dever cívico, já que tradicionalmente desprezamos o verdadeiro civismo (o nosso silêncio diante do fim da soberania nacional imposta pelo golpe comprova isso). E por ser um "dever cívico", é consequentemente uma obrigação social. Ninguém sente simpatia por um desertor da pátria, mesmo que isso signifique apenas alguém que não se diverte com futebol.

Isso explica a (falsa) unanimidade do futebol, onde muita gente, principalmente as mulheres, finge o gosto pela modalidade esportiva para que não seja mal vista pela sociedade e perca os direitos que dependam das decisões de outras pessoas. Mesmo que digam que "ninguém é obrigado a gostar de futebol", assumir o desprezo por esta modalidade esportiva incomoda muita gente que sonha em vê-lo como uma atividade unânime. Algo biológico, que faça parte da espécie humana.

O conservadorismo das forças progressistas

O parágrafo anterior foi colocado para explicar o verdadeiro assunto desta postagem: o futebol como força conservadora brasileira. Esperneiem a vontade, torcedores esquerdistas : futebol é um esporte conservador. É o traço conservador que os progressistas se recusam a admitir.

Bom lembrar que todo o povo brasileiro é conservador e até mesmo esquerdistas são avessos a mudanças mais radicais na sociedade. Certas coisas como bebidas alcoólicas, religiões e o futebol, integrantes tradicionais do cotidiano de forças retrógradas, devem ser preservadas. O conservadorismo do povo brasileiro não permite que certos costumes sejam mudados, inclusive para progressistas.

O problema é que o futebol, lazer simplório criado apenas para entreter, criou meios de se manter numa excessiva popularidade. Como o futebol em si é sem graça, foi preciso criar próteses que desse "magia" a modalidade. Essas próteses cheias de valores "nobres" atribuídas ao futebol é que atraem o público e justificam a sua (falsa) unanimidade. Pergunte a qualquer um que assuma gosta de futebol porque gosta dele e vai ouvir alguma dessas próteses usada como justificativa.

Popularidade do futebol e a sua confusão com a própria pátria

Interessante o apoio de personalidade progressistas ao esporte. É compreensível pelo fato de viverem numa sociedade onde o gosto pelo esporte é uma imposição social, quase como uma regra de etiqueta. mas não deixa de ser surreal, pois o futebol é o esporte oficial das forças conservadoras.

Há direitistas que amam futebol ponto de o confundirem com a própria pátria, como também fazem muitos progressistas. Ou acham que os entusiastas do golpe sairiam as ruas vestidos com a camisa da CBF se não confundissem futebol com o Brasil?

O próprio futebol da CBF depende do Capitalismo e da mídia para sobreviver. O recente rompimento da CBF com a Globo, fato comemorado precocemente pelos progressistas é algo a observar atentamente, pois a magia do futebol tem muito de influência midiática.

Sem a influência da grande mídia, pessoas que fingem gostar de futebol por motivos sociais poderão sair do armário e abandonar o suposto hobby, diminuindo drasticamente a quantidade de pessoas que assumem gostar de futebol, fazendo aos poucos com que a falsa magia embutida no futebol desapareça e a modalidade deixe de ser um dever cívico para retornar a sua função original e inerente de simples entretenimento.

Apoio de forças progressistas a um esporte com praticantes conservadores

O mais curioso é que o futebol, talvez por ser o nosso mais tradicional esporte, envolve muitos conservadores entre jogadores, equipe técnica, "cartolas" e jornalistas. O único jogador que sei que é assumidamente progressista, Sócrates, esta morto. De jornalistas ligados à modalidade, apenas Juca Kfouri e José Trajano assumem de fato a opção pelos ideais progressistas. Não progressistas entre os empresários e especuladores do futebol por razões óbvias.

Há muitos jogadores conservadores, vários iludidos com a falácia da meritocracia. Um deles, integrante da seleção, assumiu ser fascista, com declarações reprováveis. Neymar, extremamente popular e influente, tem amigos entre conservadores. Bolsonaro, recentemente se comparou com Neymar em uma declaração. Como vê, jogadores em geral tendem para a direita, pois a maneira rápida como vencem na vida os coloca do lado oposto ao dos progressistas, por se tornarem magnatas "sem preparo", portadores de uma forma mais alienada de elitismo.

Mas como existem roqueiros que adoram um esporte cujos maiores atletas odeiam este gênero musical, não parece estranho que progressistas gostem de um esporte praticado por conservadores. O fato do Brasil ser um país que permite contradições permite estas aberrações: ver progressistas aplaudindo toda a magia permitida pelos mais retrógrados "cartolas" de futebol. Gostem ou não, o futebol, sem os "cartolas" voltaria à várzea, perdendo boa parte da falsa magia a que lhe é atribuída.

Não estou dizendo para que progressistas deixem de gostar de futebol. Mas largassem a boa fé que aumenta a importância daquilo que deveria ser encarado como mera diversão. É enxergar o futebol como instrumento utilizado pelo Capitalismo para manipulação mental dos adeptos e desvio de foco de assuntos mais importantes.

Pois para quem acha que futebol é patriotismo, acha também que somente a citada mobilidade trará dignidade para a sociedade brasileira, senão resolvendo os problemas, mas servindo de compensação para um país que insiste em recusar a progredir.

domingo, 21 de maio de 2017

Maioria dos brasileiros se sente obrigada a gostar de futebol

Interessante. Duas das frases consagradas pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, que gostava (mesmo!) de futebol e por isso foi também cronista esportivo, podem servir de comentários sobre o fanatismo do brasileiro pelo futebol:

"O Brasil é uma pátria de chuteiras".
"Toda unanimidade é burra".

O Brasil é conhecido pelo intenso e maciço fanatismo pelo futebol. Mas é estranho para um país conhecido pela sua diversidade, com um imensidão territorial e uma gigantesca quantidade de pessoas de várias etnias, origens e personalidades, ter apenas um, eu disse UM único hobby esportivo. Isso só é possível se o futebol for considerado uma obrigação social. Uma situação onde as pessoas são obrigadas a gostar de futebol para serem aceitas socialmente.

Na verdade, o futebol é o que se pode conhecer como falso consenso. É quando o senso comum combina com grande maioria das pessoas, através da mídia e de regras sociais, o que todos devem fazer. Pega-se uma atitude, agrega-se a ele valores positivos ou até mesmo nobres e estimula quase toda a sociedade a tomá-la, como se fosse a sua "honra".

Somente uma minoria de brasileiros gosta de fato de futebol

Cerca de 80% (pensavam que o numero era maior?) das pessoas, segundo uma pesquisa que eu vi em redes sociais, poucos anos atrás, admitem publicamente que gostam de futebol. Desses 80%, somente 40/80 gostam de fato e 20/80 demonstram algum conhecimento técnico sobre o esporte.

Se pararmos para pensar, somente uma reduzidíssima quantidade de pessoas gosta de fato de futebol. Grande maioria finge gostar por motivos sociais. O futebol é o maior agregador social para o brasileiro, seguido das religiões e das drogas (lícitas e ilícitas) em geral. 

Para a grande maioria, ficar diante da TV berrando a cada entrada de bola em uma rede, é o suficiente para admitir o gosto e assim obter a aceitação social de quem pensa que gostar de futebol é sinônimo de "simpatia".

O futebol em si não possui características que estimulem a sua imensa popularidade. Boa parte da magia atribuída ao futebol é postiça. Pergunte a quem se assume gostar de futebol: os argumentos de defesa mais comuns que você ouvirá sã os seguintes:

"É prazeroso ver a torcida unida em torno de um ideal".
"Gritar quando acontece um gol é a oportunidade para extravasar"
"Ver o nome do país se destacando diante do mundo através do esporte é o máximo".

Reparou que nenhum dos argumentos de defesa fala do futebol em si mas dos valores que são agregados artificialmente à modalidade? Uma prova que o que atrai as pessoas ao futebol é, além dos motivos sociais, das próteses enobrecedoras colocadas em torno de um esporte sem graça, praticado por atletas de baixíssimo nível intelectual e que envolve muito dinheiro sujo e compras de resultados para favorecer dirigentes e alguns jogadores.

Futebol como falso consenso para uma sociedade diversificada

Outra coisa: foi comprovado através de estudos que seguir a maioria é instinto de sobrevivência. Pessoas sabem que obedecer regras sociais traz vários benefícios, principalmente nas relações amorosas e profissionais, que dependem de decisão de outras pessoas para serem adquiridos. 

Por isso que mesmo com vocação à diversidade, os brasileiros tentam desesperadamente criar um falso consenso para forjar harmonia e concordância. E para isso que existe o futebol, supostamente cultuado por pessoas de todos os tipos, raças, crenças, tribos: ricos e pobres, capitalistas e socialistas, homens e mulheres, negros e brancos, gordos e magros, nerds e atletas, bregas e alternativos, cristãos e ateus, bandidos e benfeitores, etc. Juntar pessoas totalmente diferentes e até mesmo em pé de guerra entre si é objetivo do  falso consenso.

O futebol é a nossa maior regra social e enquanto ele for considerado como tal, as pessoas irão colocar as suas camisetas de times e berrar muito. Mesmo que o resultado de um jogo nada signifique para as suas vidas.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Se depender da Globo, brasileiros não dormirão cedo nas noites de quarta

Não é só na política que a Globo é contra a população. A Globo, que decide pelo horário dos jogos por razões de faturamento por publicidade, sempre foi criticada por estipular as noites de quarta-feira para a ocorrência de jogos. Isso prejudica tanto quem assiste aos jogos nos estádios, devido às naturais dificuldades de retornar para casa, quanto quem deseja dormir cedo, incomodado com vizinhos irresponsáveis que berram muito durante os jogos.

A Globo bateu o pé e garantiu que manterá o horário de 21:45 nos jogos de quarta, argumentando que é mais lucrativo. Especialista em lucrar muito com o prejuízo alheio, a emissora responsável pelo golpe político de 2016, através do diretor de eventos esportivos, mandou a seguinte nota:

“Esse é um bom ponto, debate sempre válido, saudável quando você concilia as necessidades de todos os players envolvidos. A Globo não exibe o futebol às 21h45, aliás, exibia às 22h e antecipou, e sempre trabalhou muito firme pela pontualidade nas transmissões por um capricho. Isso está relacionado a um modelo de cobertura televisiva e até mesmo impacta na remuneração desses direitos”.

Será que é preciso arruinar com o cotidiano dos brasileiros para obter lucros financeiros? Porque não arrumam outro jeito de ganhar muito dinheiro? Não é anti-ético lucrar com o prejuízo de brasileiros que acordarão cedo no dia seguinte para trocar um esforço duro por um mísero salário que mal dá para comida?

Eu mesmo estou com a saúde debilitada por noites mal dormidas por uma vizinhança que insiste em transformar o bairro onde eu moro em um estádio de futebol, berrando a altos níveis de decibéis. Hoje, meu horário normal de dormir passou a ser 1:15 da manhã e no dia seguinte trabalho com o desempenho bastante reduzido. 

Só isso já serve para conhecer o mal caratismo dos dirigentes da Globo, que se escondem atrás da religiosidade para fingir o bom mocismo, enquanto arruína com as vidas de milhões de brasileiros.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Ex-primeiro ministro português mostra a verdadeira importância do futebol

Quando eu critico o futebol não é a modalidade em si que critico e sim a importância dada a modalidade esportiva, que no Brasil é mais do que frequentemente confundida com dever cívico e obrigação social. 

No Rio de Janeiro, a coisa é ainda mais radical, pois o gosto pelo futebol é tratado como uma etiqueta social, obrigando todo carioca a escolher um time para torcer (de preferência um dos quatro principais), sob pena de ser excluído do convivo social. Falam que o gosto pelo futebol não é obrigatório, mas assumir desprezo pelo futebol causa desconforto nos cariocas, que quase sempre reagem mal.

Tenho absoluta certeza do fato de que Charles Miller não estava com intenções de criar um símbolo cívico quando trouxe o futebol - sim, ele é esporte gringo: nosso "maior símbolo" é importado! - para o país. E pelo que se observa neste vídeo, o ex-primeiro ministro português, do contrário que imensas multidões no Brasil, também não enxerga no futebol um dever cívico.

Santana Lopes foi convidado por um telejornal português para dar uma entrevista importante sobre a crise mundial e os efeitos dela sobre a economia portuguesa. Durante a entrevista, ele é interrompido para uma espécie de "plantão" onde mostrava a chegada no aeroporto de um técnico de futebol, uma informação banal e que poderia ter sido facilmente ignorada ou no máximo, mostrada mais tarde, sem necessidade de plantão e de interromper uma entrevista.

Santana Lopes, sensatamente, se sentiu ofendido com a interrupção e reconheceu a futilidade do futebol, que na verdade nunca passou de mera forma de diversão, sendo totalmente supérfluo para a melhoria do bem estar da sociedade. Lopes se recusou a continuar a entrevista, falando de forma firme, mas gentil e agradeceu a participação. A jornalista insistiu com a continuação da entrevista e Lopes, alegando desrespeito, insistiu em encerrar a entrevista.

Concordo plenamente com Danta Lopes e aplaudo de pé. Eu mesmo já falei a amigos, que não gostaram muito do que eu disse: se uma namorada minha se recusar a sair comigo para um passeio romântico, por causa de um "importante" jogo de futebol, encerro o namoro na hora, pois mesmo que ela ame tanto o time quanto eu, não gosto de ser igualado a algo ao mesmo tempo abstrato e fútil e que nunca conseguiu melhorar a sociedade como um todo.

É como eu digo, o Brasil só vai se evoluir quando tratar o futebol como mero lazer. Enquanto ele for confundido com dever cívico, coxinhas vão continuar saindo para as ruas para combater a corrupção usando a camiseta da CBF e esquerdistas vão continuar insistindo na conversa fiada de que o futebol vai mudar o mundo e conscientizar as pessoas.

O povinho infantil este, o brasileiro, que coloca uma mera brincadeira acima de tudo. Estamos nessa desgraça de sub-desenvolvimento porque ainda continuamos muito imaturos. Cresçam, brasileiros, cresçam!

quarta-feira, 1 de março de 2017

Atlético PR e Coritiba vão sim transmitir seu jogo pela internet

Não curto futebol mas respeito como forma de diversão (embora não respeite como dever cívico). Eu fiquei muito feliz com a decisão, ao mesmo tempo inédita e histórica de transmitir um jogo ao vivo pelas redes sociais usando o YouTube como plataforma. 

Será um ótimo meio de se assistir a um jogo e ao mesmo tempo dar um soco na gananciosa e manipuladora Globo, que a cada dia que passa, se mostra alinhada com as forças estranhas do poder. 

Para quem gosta de futebol, eu recomendo prestigiar, para que este tipo de transmissão se torne rotina, criando outra forma de curtir futebol sem a narração e comentários de pseudo-jornalistas parciais que parecem mais cheerleaders, contratados por uma rede acostumada a impor gostos, ideias e costumes para a população brasileira.

Será hoje, a partir das 20h, no YouTube, com transmissão ao vivo, no exato momento do jogo.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Principais times curitibanos de futebol protestam contra a Globo

O assunto do dia foi o fato de dois times de futebol do Paraná (logo do Paraná, Sérgio Moro e Dallagnol!), O Atlético Paranaense e o Coritiba terem enfrentado a Globo, que ofereceu aos dirigentes uma quantia inferior a merecida na hora de negociar a transmissão pela televisão.

Numa atitude inédita, os times, que não conseguiram entrar em acordo com a Globo, acertaram com o YouTube a transmissão do jogo. A justiça, sempre do lado da Globo (não é, Sérgio Moro e Dallagnol!) decidiu proibir a transmissão da partida, que acabou não acontecendo por decisão dos próprios jogadores. Mais informações sobre o ocorrido, neste link.

Jogadores de ambos os times, que na ocasião ignoraram a rivalidade se unindo contra o abuso da Globo, junto com a torcida, se deram as mãos, torcida e jogadores se aplaudiram mutuamente uns aos outros e vaiaram juntos as Organizações Globo. Uma atitude inédita que já é considerado um marco.

Atitude louvável que pode tirar a "magia" do futebol

Apesar da atitude ser louvável, sabe se que a mitologia do futebol como dever cívico e social foi criado e consagrado pela mídia, com apoio das convenções sociais. O rompimento dos times de futebol com a mídia e a diminuição do poder de cartolas pode tornar o futebol um esporte apenas para torcedores.

Com isso, o futebol passaria a ser curtido apenas por quem realmente gosta e acompanha a trajetória dos times, fazendo desaparecer a sua condição de obrigação social, que tem feito muitos leigos a se unirem a multidões para berrar junto a cada entrada da bola na rede, só para se sentirem incluídos na sociedade e se beneficiar das prerrogativas oferecidas pelas regras de etiqueta social.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Esquerdas ignoram que gosto pelo futebol é manipulação da mídia

Os esquerdistas criticam, com sensatez e sabedoria, a capacidade da mídia de manipular mentes para que a sociedade passe a pensar e agir de acordo com as convicções e interesses dos empresários que mandam na política brasileira e mundial. Que a mídia oficial é manipuladora, sobretudo a televisão, isto é um fato.

Mas as esquerdas inocentemente ignoram que o fanatismo futebolístico, acreditado que a suposta unanimidade - esquerdistas passam longe do debate sobre o direito de gostar ou não de futebol - que caracteriza a "Pátria de Chuteiras" é natural, sendo programada no cérebro "sadio" de qualquer cidadão brasileiro. 

Mas como diz o mesmo criador do termo citado entre aspas, o dramaturgo e cronista esportivo Nelson Rodrigues, toda a unanimidade e burra. Na verdade unanimidade não combina com um país diversificado como o Brasil. Alguém haveria de não gostar de futebol.

Estranho os intelectuais de esquerda ignorarem este fato. Quando falam em política, economia e Direito, os esquerdistas são bem sensatos, mas quando falam em cultura e esportes, costumam pisar em cocô. Ignoram que justamente na cultura e nos esportes que está o sucesso da manipulação ideológica que prepara as mentes humanas para serem hipnotizadas diante de outros assuntos. 

Através da novelização dos fatos e de metafóricas comparações futebolísticas, as pessoas passam a entender de firma errada como funciona a política, a economia e as forças que as controlam. Travar as mentes humanas através do lazer, que é o tempo que qualquer pessoa se encontra livre para decidir, já que no emprego, ela está submetida a vontade alheia, é o principal ponto de partida para a alienação mental que irá fazer com que as pessoas tenham dificuldade de entender a realidade.

Futebol como instrumento de manipulação mental

O futebol é um excelente meio de manipulação mental. Insosso por suas características próprias, sua magia que fascina a quase todos não está na modalidade em si, mas na mitologia que é construída ao redor. Uma prova disso pode ser adquirida se proibirmos os torcedores de berrar durante os gols. Rapidinho, o futebol passará a perder a graça, pois é a única situação onde a pessoa pode agir de forma histérica sem que isto possa ser considerado uma gafe.

A magia do futebol está na sua capacidade de sociabilização. Sua suposta (e mitológica) unanimidade dá a ilusão de que o futebol é um elemento que favorece a união entre as pessoas. Um falso consenso que consegue unir pessoas de pensamentos bem diferentes, muitas vezes opostos. Não por acaso, esquerdistas e direitistas tem opiniões muito parecidas sobre o fanatismo pelo futebol, apesar de tratarem a modalidade, sobretudo quanto a aspectos administrativos, de formas diferentes.

Como eu falei, o debate sobre o direito ou não de gostar de futebol é solenemente ignorado pelas esquerdas. A direita estranhamente já tocou no assunto, mas de uma forma elitista - futebol é esporte "de pobre" - o que além de preconceituoso, desvia o foco da verdadeira discussão que é o direito de não gostar de uma forma de lazer excessivamente popular. Para direitistas, fica a impressão de que o problema do futebol é ter jogadores e torcedores das classes pobres e não a sua capacidade de manipular mentes e de estimular a alienação.

Três coisas que as esquerdas creem sobre o futebol é que 1) é um dever cívico que deve ser tratado e preservado como tal; 2) de que não é instrumento de manipulação; 3) deve se separar o futebol em si da influência de cartolas corruptos, como se o futebol pudesse manter a sua magia sem a gestão econômica dos donos e patrocinadores dos times de futebol.

É preciso estar atento pois a influência do futebol na manipulação mental das pessoas é explícita e inegável. Ignorar isto é contribuir para que o futebol continue sendo um instrumento de manipulação ideológica, quando deveria nunca passar de mera forma supérflua de diversão para quem nada tem de importante para fazer.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sabrina Carpenter lamentou acidente com a equipe do Chapecoense

O fato de eu não curtir futebol não significa que eu odeie a modalidade ou o que for relacionado a ele. O futebol em si é válido, diverte e para quem gosta é bem movimentado. O que reprovo não é a modalidade em si, mas o fanatismo que superestima o futebol, transformando algo que deveria ser uma mera forma de diversão em obrigação cívico-social e prioridade máxima de um país, criando muitos incômodos e preconceitos nas relações sociais. 

Aliás, como um não-torcedor, sempre tive simpatia por times pequenos. Os grandes não me interessam, pois estão praticamente corrompidos. Times pequenos como a Chapecoense é que deveriam começar a se destacar e crescer em suas carreiras, tomando o lugar dos grandes, cujas vitórias acabam chatas de tão repetitivas.

O Chapecoense estava prestes a dar um grande salto em sua história participando de um campeonato internacional. E por causa da desobediência a uma não-recomendação de especialistas para um voo em um avião suspeito de más condições, houve um triste acidente com vítimas, que sensibilizou a opinião pública não somente do Brasil, mas também do mundo.

É claro que os hipócritas de plantão, daqueles que gostam de escrever mensagens pseudo-solidárias em tempos de comoções coletivas, entram em ação nestas horas para se promoverem como falsos benfeitores. Infelizmente há muitos assim, mas felizmente não são todos. Junto a eles, muita gente realmente boa, muitos com responsabilidade social, se manifesta de forma sincera, demonstrando real solidariedade. Sabrina Carpenter, atriz e cantora de quem sou fã, é uma delas.

Sabrina tem se envolvido em muitas atividades de cunho social e por isso tem-se a certeza que as manifestações de afeto e solidariedade por parte dela são verdadeiras. E ciente com o que acontece com o mundo, Sabrina se manifestou de forma surpreendente - por ser estrangeira e de um país que não cultua o futebol brasileiro, seria normal que ela ignorasse o fato - sobre o acidente, tratado como uma tragédia envolvendo seres humanos, sem enfatizar o futebol, como aconteceu nas mensagens brasileiras.

Muita tragédia #equipedefutebolbrasileira. Estou mandando todo o meu amor mais condolências a todos vocês e familiares.

Valeu, Sabrina, só aumentam os motivos para te amar. E fica aqui também nossa manifestação de pesar pelas mortes e pelos danos físicos, materiais e psicológicos de quem sobreviveu.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Para líder do PCO, quem torce contra a "seleção" é "fascista"

Eu sou esquerdista, mas tenho que reconhecer que a esquerda comete muitos erros. Um dos erros é tratar o entretenimento de forma capitalista. Para esquerdistas, se o Capitalismo é nocivo à política e a economia, ele é benéfico para o lazer e atividades mais supérfluas. Por isso que música comercial e esportes corrompidos como o futebol são tão valorizados pelos esquerdistas.

Rui Pimenta, principal liderança do Partido da Causa Operária PCO), tem feito excelentes análises sobre os bastidores da política. Fala coisas que outros esquerdistas não te a coragem de dizer. Há momentos que demonstra autocrítica. Mas num momento, deu uma pequena escorregada que soa como um preconceito contra quem não curte futebol.

Na hora de descrever os fascistas brasileiros, chegou a enfatizar que este torcem contra a "seleção" em épocas de copa, dando a entender que torcer contra o Brasil no futebol é coisa de fascista. Quanto a isso, é preciso esclarecer algumas coisas.

Primeiro, futebol é só lazer, embora tratado pela opinião pública como dever cívico (o comentário de Pimenta deixou isso subentendido). Eu sou anti-fascista e tenho o direito de torcer contra a "seleção" por que detesto essa mania de transformar o futebol em dever cívico. 

Não conheço lei oficial que me obrigue a gostar de futebol. Nem mesmo a transformação do gosto pelo futebol em regra de etiqueta social me faz sentir obrigado. Considerar fascismo não gostar de futebol foi uma declaração mais do que equivocada e até preconceituosa e autoritária. 

Segundo, Pimenta se esqueceu que os fascistas adoram futebol, torcem para a "seleção" e a confundem com o próprio país a ponto de usarem camisetas da CBF em seus protestos, várias com o nome de Neymar, direitista convicto e fã de Aécio Neves. Pimenta deveria saber que, pelo contrário, fascistas adoram futebol e torcem para que o Brasil seja o melhor na bola para que se ferre em outros setores.

Pimenta, você normalmente é sensato. mas por poucos segundos sua sensatez foi por água abaixo na tentativa de defender como "civismo" um mero hobby, uma brincadeira que você tem o direito de gostar, mas não tem o direito de impor aos outros. 

Isso lembra o que foi publicado meses atrás quando um esquerdista, que não me lembro qual é, acusou de fascistas quem exige a melhoria da qualidade cultural. Outra declaração insensata e preconceituosa que contribui para a mesmice no lazer do povo brasileiro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A mesma mídia que deu o golpe político exige que você curta futebol

Ou as esquerdas não sabem disso ou fingem não saber. Defensoras do fanatismo futebolístico e praticantes do proselitismo do futebol, esquerdistas tratam a modalidade como se nada tivesse a ver com Capitalismo e alienação, como se não fosse utilizada para manobrar as massas. Os esquerdistas são ingênuos, pois defendem o mais capitalista dos esportes: o futebol.

São muitas as oportunidades que tenho de ver esquerdistas fazendo proselitismo futebolístico. Nada contra o hobby, mas o problema e que para eles o futebol não é tratado como um hobby e sim como motivo de orgulho, como se fosse fonte de dignidade, algo muito acima de uma mera opção de lazer.

Há textos surreais em sites de esquerda tratando a corrupta politicagem que os cartolas fazem como se nada tivesse a ver com os clubes geridos. Fica aquela impressão alucinada de que os clubes pertencem ao povo (os torcedores) e que toda a magia do futebol aconteceria se os mesmos não fossem controlados pelos cartolas que lhes enchem de dinheiro.

Imagine se os clubes de futebol largassem mídia e cartolas e fossem controlados exclusivamente pelos torcedores. Obviamente a magia do futebol iria desaparecer. O chamado futebol profissional iria se reduzir a joguinhos de várzea, eliminando o glamour postiço que consegue convencer os brasileiros mais ricos a se interessarem pela modalidade esportiva mais popular do país.

Sem a cartolagem, o futebol voltaria a ser uma modalidade sem graça. Os jogadores de futebol, hoje altamente hiper-estimados como pseudo-heróis, muitos de origem humilde, voltariam a ser feios e desprezados - burros já são, mesmo com riqueza -  e aos poucos os brasileiros perderiam o interesse pela modalidade. Embora ninguém admita, a magia do futebol não está no esporte em si, mas no festival de enxertos que a mídia e o senso comum embutiu no mesmo.

A mídia é grande responsável pelo monopólio do futebol. Como ganha muito dinheiro com a modalidade (dizem que é a única forma garantida de lucrar grandes quantias de dinheiro para a mídia) os meios de comunicação fazem uma propaganda quase autoritária em prol do futebol, a ponto de forjar uma unanimidade que não existe, transformando os torcedores em cães de guarda para impor o gosto aos outros, dando origem a uma rede de preconceitos.

Os políticos, sobretudo os de direita, adoram o futebol. Não apenas como forma de diversão, mas como instrumento garantido de manipulação. Brasileiros costumam tratar futebol como prioridade, largando qualquer coisa em prol da modalidade. Tem o hábito de colocar futebol até em assuntos alheios, mesmo que seja como metáfora. Muitas das gírias (galera, show de bola, na trave, etc.) usadas em várias situações veem no futebol. 

Como vê, futebol imobiliza e não adianta inventar que futebol não aliena. Aliena sim, ao não ser que haja o limite que impeça que o futebol seja visto como algo além de uma reles forma de diversão. Para que não haja alienação futebolística é preciso que o futebol não seja levado a sério. O Brasil, vitorioso em muitos campeonatos de futebol, nunca se beneficiou com este fato, que serve mais para nos isolar da realidade. 

A esquerda, que tem cometido muitos erros, que favoreceram este golpe sujo que vai eliminar direitos importantes da sociedade, comete mais este ao de tratar ingenuamente o futebol como parte de seu ativismo social. Os cartolas corruptos, que também são direitistas, agradecem a este grande favor prestado pelos esquerdistas. Resultado no Brasil: Futebol 10 x Humanidade 0.